Compreendendo o aprendizado em mídia-educação

Cary Bazaldette apresenta resultados da pesquisa sobre um modelo de progressão da aprendizagem em mídia-educação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 1 de dezembro, o London Konwledge Lab promoveu o seminário “Researching Media Learning”, que apresentou resultados parciais da pesquisa coordenada pelo professor David Buckingham, que investiga o desenvolvimento de um modelo de progressão da aprendizagem em mídia-educação.

Os pesquisadores partem do contexto peculiar do sistema educacional do Reino Unido que desde os anos 70 promovem algum tipo de educação para a mídia nas escolas e desde a segunda metada dos anos 80 oferece cursos A level sobre Estudos de Mídia. A promoção da media literacy se tornou objeto de política pública específica desde 2003, mas o que os pesquisadores estão se perguntanto é: em que medida a realidade combina com a retórica?

O foco da pesquisa, portanto, são as práticas cotidianas e não somente as melhores práticas. Para isso, eles desenvolveram uma metodologia que contemplou sondagens quantitativas com questionários para delinear os hábitos de consumo de mídia de professores e alunos, observação de mais de 800 horas de aula e aplicação de atividades específicas de mídia-educação focadas em quatro temáticas: 1. Produção de uma narrativa audiovisual, a partir do conceito-chave de linguagem; 2. Estudo de celebridades, tendo como referência o conceito-chave de representação; 3. Estudo do processo de produção de notícias, a partir do conceito-chave de instituições de mídia; e 4. Análise das repercussões de uma campanha de promoção da saúde, baseada no conceito-chave de audiência.

O material coletado está em fase de análise mas, durante o seminário,  a equipe adiantou alguns resultados:

– Considerando as mídias tradicionais, o uso dos professores e dos alunos não é tão diferente, a distância aparece quando se investiga o uso das novas mídias. Os professores manifestaram preferências nessa ordem: TV, música, rádio, jornais, internet e games (15% deles disseram jogar). Os alunos têm as seguintes preferências: TV, música, games, internet e notícias (35% afirma ler notícias pela internet).

– Especificamente sobre a cultura digital, a sondagem mostrou que  59% dos alunos usa o Facebook com regularidade, 40% usa o site Bebo e 5% tem Twitter. Embora 43% dos professores tenha página no Facebook, 90% do uso da internet é “funcional”: fazer compras, mandar e-mails, realizar operações bancárias.

– Sobre a produção criativa dos estudantes, a pesquisa mostrou que 87% grava filmes e os publica, mas não usa qualquer sistema de edição; 88% faz e publica fotos e 20% faz algum tipo de website.

O professor Andrew Burn, responsável pela apresentação dessa primeira sondagem, enfatizou algumas questões emergentes: “O professor incorpora a cultura do aluno nas aulas de mídia-educação?”, “os alunos são capazes de refletir sobre as possíveis respostas da audiência aos seus produtos?”, “É possível identificar um modelo de tomadas de decisão em relação à criatividade para gerar um conteúdo midiático?”.

Em relação às atividades testadas, o discurso da equipe é o de que esse tipo de iniciativa deve ter como objetivo ensinar o estudante a teorizar sobre a mídia (o que é bem diferente de aprender teorias sobre). Teorizar significa levantar hipóteses sobre, por exemplo, as nuances entre realismo de fantasia; presença e ausência; objetividade e tendenciosidade; construção de estereótipos; variações na interpretação; fontes de influência.

Um exemplo de como fazer isso foi descrito na atividade sobre estudo das respostas da audiência. O objetivo, eles explicam, é mover os estudantes da percepção pessoal para a percepção social do comportamento do público. Para tanto, a atividade começou com uma discussão de quatro questões:

1. Os jogos violentos estimulam a gressividade?

2. A TV educativa é boa?

3. O Facebook faz as crianças crescerem menos sociáveis?

4. A publicidade faz as meninas quererem crescer mais rápido?

Todo mundo tende a ter uma resposta pronta para cada uma dessas questões, na grande maioria das vezes baseada em concepções subjetivas. Entretanto, para poder ser capaz de teorizar (logo refletir e ter atitute autônoma) sobre a mídia, as crianças e jovens devem treinar habilidades para emitir opiniões baseadas em evidências e não somente nas impressões pessoais e não raro inconsistentes.

Como o material aind anão foi todo analisado, o grupo não tem dados mais conclusivos. Por hora, sabe-se que algumas coisas dão certo, outras não.  As discussões, em geral, tendem a ser mais produtivas, enquanto que os trabalhos práticos de produção de conteúdo tendem a trazer mais contratempos. Ocorre que, na concepção do grupo, estudar a mídia implica em ler, escrever e teorizar sobre, usando diversas linguagens e recursos. Eles imaginam a situação adequada como aquela em que as práticas de mídia-educação tratam das ligações entre linguagem e representação e sua mútua relação com a audiência, lendo e escrevendo em linguagens multimodais.

Por hora, a conclusão é: precisamos de uma pedagogia adequada. Mas como é essa pedagogia?

 

 

 

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Sobre ABujokas

Sou graduada em jornalismo, doutora em educação, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e pesquisadora no campo da media literacy/mídia-educação. Embora viva na terra do boi Zebu, não tomo leite e não como carne, porque fazem mal para mim e para o meio ambiente.
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