Práticas de mídia-educação no Brasil

Depois de dois meses estudando materiais pedagógicos, planos de ensino e esquemas de trabalho da mídia-educação inglesa, é hora de avaliar em que medida aquelas experiências servem à nossa realidade brasileira, em especial na Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

Voltei para casa com uma interrogação: que tipo de profissional, no Brasil, é melhor habilitado para criar materiais didáticos de mídia-educação? Os jornalistas e publicitários? Os pedagogos, os professores formados em Letras?

Do lado dos profissionais da comunicação (e falo isso por experência própria, já que ou graduada em jornalismo), falta um espaço na formação que inclua aspectos fundamentais das práticas educativas tais como elemtnos de didáticas e critérios de avaliação da aprendizagem. Creio que esses fundamentos ajudam um produtor de material didático a pensar no que fazer no começo, no meio e no fim de uma proposta, que tipo de atividade desenhar, como roganziar o material para tais atividades, que parâmetros serviriam para avaliar o que os alunos aprenderam e que diferença a mídia-educação faria na vida deles.

Do lado dos profissionais da educação (e também falo isso por experiência própria, porque, desde o mestrado, convivo com professores e pesquisadores do campo educacinal) falta a formação para compreender a cultura midiática em termos que vão além da influência negativa da mídia. Conhecer aspectos da linguagem, da regulação, do comportamento da audiência, das práticas profissionais  daria aos educadores mais conhecimento para manipular as mensagens e moldá-las para o uso em atividades educativas. De certo modo, é isso que venho tentando fazer nas minhas aulas de Comunicação, Educação e Tecnologia, e tenho plena consciência de que mal consegui criar uma proto-proposta.

Talvez não haja muito mais o que fazer além de testar propostas, na base da tentativa e erro. Há três anos venh trabalhando com a formação de professores em mídia-educação e todo semestre eu mudo o plano de ensino. Desta vez, não vai ser diferente.

Sendo assim, o ano de 2012 começa com uma nova proposta: um curso de extensão de 15 horas, focado na edição e remix de conteúdo digital. A proposta é adaptar algumas técnicas de produção jornalística para não-profissionais e criar atividades que unam a leitura crítica da mídia, a produção de conteúdo original e o remix com informações já disponíveis na web. Tudo isso usando ferramentas web 2.0 multimodais e atitudes éticas no trato da informação como, por exemplo, o respeito aos direitos autorais.

O registro dessa experiência será feito neste blog, a partir da próxima segunda-feira, 6 de fevereiro.

Veja aqui o material impresso do curso:

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Sobre ABujokas

Sou graduada em jornalismo, doutora em educação, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e pesquisadora no campo da media literacy/mídia-educação. Embora viva na terra do boi Zebu, não tomo leite e não como carne, porque fazem mal para mim e para o meio ambiente.
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